Não sei se criei ou se fui domesticada pela rotina. Aquele trecho da música da Bethânia “Todo dia- todo dia- todo dia “ é um tilintar constante que ecoa no vazio monótono que se transformou a vida. O pensamento letárgico vencido pelo cansaço dos dias excessivamente ocupados. Não cabe raciocínio, nem um filosofar sequer. Não resta nada, até que a vida rompa um buraco qualquer. Não foi o sol que derreteu os miolos, nem o frio repentino que estatelou os ossos. A surpresa parece criar uma película que se move lentamente para frente e para trás. Ela pára o presente empurra para o futuro e refaz tudo sem você.
Subitamente captada para dentro do filme “Minha vida sem mim” uma lista mental insiste em disputar espaço com o que seria mais importante de viver . O metrô interrompe o devaneio ao chegar ao destino. Se tudo isso fosse verdade, por onde começaria?